terça-feira, 20 de agosto de 2013

Teoria do Amor

Já disseste a alguém “Amo-te” hoje? Não te apetece? O gato comeu-te a língua? Ah, tens medo?! Sim, sim, está bem…Fizeste “aquele gesto” já conhecido entre ambos e que tem o mesmo significado. Ou aquela troca de olhares cintilante que oculta a palavra, mas que transmite a emoção necessária para poderes ir trabalhar sem ter de pensar em imagens eróticas de infidelidade. Ou de tal forma pornográficas, que quase desejas entrar no filme! És capaz de contar as horas para chegar a casa e ir inspeccionar os cantos todos à procura de uma pista que te dê um motivo para partires os pratos e fazer os vizinhos chamar a polícia. Mas nem antes de entrares em casa, durante a tua personificação de CSI e após a constatação de que não te nasceram ainda cornos na testa, te lembras de pronunciar aquela palavra. Tal é a “vontade” de te crescerem ossos pontiagudos para dar um novo look, que te esqueces por completo do motivo pelo qual embarcaste numa relação. Sem dúvida, seria uma óptima desculpa para voltares a sair à noite com os amigos solteiros e beber até cair, fugir àquelas responsabilidades habituais e não ter de dar satisfações a ninguém. Embora o custo no coração fosse bem alto. E com a idade, a taxa de juro aplicada a esta dor vai sendo cada vez maior.

E então, lembras-te que nada disto foi fácil. Pronto, afinal foram só coisas na tua cabeça. “Ainda” não tens um par de cornos. E isso nunca vai acontecer. Ou vai? O comando da televisão está 3 centímetros deslocado do sítio habitual!!! Eu sabia! Eu sabia! Vou partir esta m*rda toda!… Ah, não! É verdade!... Ontem trocámos as pilhas ao comando. Então como são novas… é normal que esteja ligeiramente fora do sítio. Bem, que dor de cabeça. Mais vale mandar vir o jantar, tomar um calmante e adormecer.

O tempo passa e a palavra não chega a ser proferida. Terá caído no esquecimento ou foi usada demasiadas vezes? Ou terá, ainda, perdido o significado? Temos uma tendência muito grande para acharmos que sabemos sempre a todo o minuto o passo correcto a dar em todas as situações. Se usarmos a palavra “amo-te” vai parecer que somos submissos a quem amamos. Ou que somos nós que amamos mais e que por isso estamos dispostos a sofrer tudo o que de mal vier a acontecer. Então decidimos não a dizer. Esperamos que nos seja dita. Por outro lado, já a dissemos tantas vezes que a balança está completamente desequilibrada e o prato do “dizer” está bem mais em baixo do que o prato do “ouvir”. Seria justo estarem os dois pratos ao mesmo nível. Mas também essa justiça é cega. Diz e ouve… mas não vê. Deixamos de ver. Parece que deixamos de sentir, o que não é verdade. Atrevo-me a dizer, até, que vestir o colete do CSI é um acto de amor. Ou a defesa do mesmo. Uma coisa que deu tanto trabalho a arranjar não pode ser simplesmente destruída pela luxúria! Mas vamos ao que importa hoje (e todos os dias)… aquela palavra.

Normalmente é utilizada sozinha, outras vezes com prefixos e sufixos. E outras vezes ainda, infelizmente, com “se”s e “talvez”es. Pode até nunca ser utilizada. E em casos raros, utilizada desenfreadamente, sem rodeios, só porque sim. Não quer isto dizer que o sentimento seja errado. Se te apetece dizê-la, então diz. Ou achas que ainda não passou o tempo suficiente para isso? E quanto é esse tempo? Um ano? Um mês? Uma semana? Depois da primeira experiência sexual? Um dia? Houve quem já mo tivesse dito em menos de 24 horas depois de me conhecer... E não foi inédito. Embora ache piada, respeito. E não é que temos mais tendência a respeitar estas atitudes instantâneas? Olhemos para o caso amoroso do Titanic. Então a burra da rapariguita foi-se apaixonar por um pelintra assim em 2 dias? O iceberg tomou conta do assunto e “afundou” a situação, pois ela não devia estar boa da cabeça. Lá o rapaz foi com os porcos e ela ficou sozinha o resto da vida. Tinha de ser. Não se admite cá essas modernices de paixonetas de Verão. No entanto, tal como o filme expressa, ela não o deixou de amar, mesmo não estando ele presente. Haverá coisa mais bonita? Pois eu acho muito bonito amarmos as pessoas que não estão connosco.

Agora imagina que o Titanic não afundava, nem nenhum iceberg lhe tocava. Bem, neste caso, provavelmente ela desfazia o noivado na mesma, acabava por se casar à revelia com o pelintra, tinham 2 filhos, ela ficaria em casa a fazer nenhum e ele ia tomar conta dos negócios da família; neste caso, da herança dela. O final seria praticamente o mesmo, por causa da depressão económica de 1929, aliada à falta de escolaridade e inexperiência do rapaz. E ao invés de ir para o fundo do Atlântico, atirar-se-ia de uma janela na Wall Street. Ou seja, o caminho que o amor leva vai sempre dar ao mesmo. Nunca podemos adivinhar o quão burra é a pessoa que amamos ou se a Mãe Natureza nos vai colocar um obstáculo inultrapassável.

De uma maneira ou de outra, não temos o direito de nos esquecermos de dizer a palavra. Seja em que momento for, seja em que circunstância. E se tiver de ser agora, que o seja. Vá! Faz uma pausa na leitura e atreve-te! Eu dou uns segundos… Já está? Vês como não custou nada? Ou custou? Ah… Não era o que sentias? Não faz mal. Só o facto de o dizeres pode ser que te faça mudar de ideias. E não há mal nenhum nisso. Também pode acontecer a situação de não termos ninguém a quem o dizer… Mentira! Temos, sim. E se não tivermos, mais vale ir procurar então. Interessa é não desistir.

Porque umas vezes pode não custar nada. Outras vezes pode custar muito. E se alguém te disser que lhe custa muito dizer essa palavra, então não é uma pessoa que a mereça ouvir em reciprocidade. Jamais. “Amo-te” é a palavra que exprime uma carga de emoções suficientes para a outra pessoa ter a certeza de que nos conhece, que sabe o que somos para ela, que tem a certeza que queremos estar com ela. Nem que seja só por um momento… E mesmo no momento mais curto ela pode demonstrar o mais verdadeiro sentimento. Tem é de ser merecida! Não é mais do que uma oportunidade. Pois, afinal, é a palavra mais cara do Mundo. Mas vou-te contar um segredo… ;) ... É de graça!


Definitivamente… amo-te com todas as letras, amo-te quando te odeio, amo-te só porque te amo, amo-te porque me apetece, amo-te porque quero, amo-te porque não (te) quero, amo-te porque me amo, amo-te todos os dias, amo-te a toda a hora, amo-te aqui e ali, amo-te assim e assado, amo-te desalmadamente, amo-te descaradamente, amo-te e ainda te amo cada vez mais a cada dia que passa, amo-te porque nunca vou deixar de te amar, amo-te por teres lido isto até ao fim. Amo-te, sejas lá tu quem fores.

2 comentários:

  1. É realmente triste que muitos de nós estejam sempre à espera de ouvir algo que nos acalente o coração, e que outras pessoas não o façam por vergonha, por esquecimento, ou porque simplesmente acham que "só o estar aqui já é a prova disso".

    Decididamente há muitas vezes em que os pratos estão desequilibrados...

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