quarta-feira, 31 de julho de 2013

Teoria da Espera

Esperar. (estar à espera/ ficar esperando/ ter esperança ou esperanças/ contar com/ aguardar/ ...)
Vou colocar um outro significado a esta palavra: aguentar à bronca.

Quem é que consegue esperar? E durante quanto tempo? E ao fim desse tempo, esperou-se pelo quê?
Nos dias que correm, esperar é uma espécie de taxímetro instalado no cérebro, a fazer a contagem do tempo e do preço que alguém vai (ou não) pagar pela espera. Já repararam na quantidade de coisas que nos fazem ficar à espera? O transporte, o semáforo, o toque do telefone (que também ele espera por ser atendido), a senhora que não encontra a carteira na fila do supermercado, a resposta a um e-mail, um café pedido pela segunda vez porque o primeiro foi mal tirado, o início de sessão de um computador ligado a uma rede, um atendimento telefónico de um serviço de apoio a clientes, o troco de 20€ sobre um maço de tabaco de 3,75€, o desocupar da única casa-de-banho disponível, o início e/ou o fim de algo. Começamos sempre por esperar, pelo meio vamo-nos "aguentando à bronca". Depois continuamos a esperar. Este processo pode ser muito rápido, principalmente para aqueles que não esperam por nada. Mesmo que não gostem, esperam sempre um bocadinho. Pode também durar a vida toda...

Nos exemplos que dei, sabemos sempre do que estamos à espera. Mesmo assim, ficamos por vezes impacientes. Então e quando não sabemos o resultado final da espera? Não sei que nome hei-de dar, mas não se trata de impaciência. Já é um misto de ansiedade com ilusão. Então quando somos movidos pela vontade... hhmmm... a espera é deliciosa, até lhe sentimos o cheiro, como quando nos aproximamos a 500 metros de um McDonald's: ainda não chegámos, mas o cheiro já infestou a rua e já temos água na boca!
Se já conhecemos uma parte do resultado, a ilusão permite-nos imaginar como vai ser. Aquele toque que já nos fez vibrar. Aquele som que nos ficou gravado na memória. Por vezes, aquele sabor que nos fez pedir mais. O tal cheiro que ficou na roupa, a qual nos recusámos a lavar, só para de 10 em 10 minutos ir lá "snifar" e rasgar um sorriso de olhos fechados. Hhmmm!
Recentemente, vivi uma situação de não-espera, por uma daquelas pessoas que não esperam por nada nem por ninguém. Ia eu com baba a escorrer-me da boca, os cinco sentidos apuradíssimos, pois já conhecia o resultado. Já lá tinha estado. Também ia com 10 minutos de atraso. Tendo em conta que estava no meio do trânsito, era algo de se esperar! Mas ela não esperou. Foi-se embora. E até hoje, decidi eu não esperar por mais nada dela. Eu esperava pelo resultado que já conhecia, mas não esperava não conhecer o resultado. Ai! Então mas afinal eu conhecia ou não conhecia o resultado?

Afinal, sabemos ou não sabemos aquilo que esperamos? E a resposta é "não". Nunca. A verdade é que pensamos que sabemos o resultado das coisas. Pensamos que sabemos sempre o que vai acontecer no minuto seguinte. Podemos imaginar, podemos até provocar os acontecimentos, podemos prever o resultado. Podemos ter todas as certezas do mundo. Mas a maior certeza que devemos ter é que nunca sabemos na realidade o que vai acontecer.

Tenho assistido demasiado a situações em que as pessoas não esperam. Será que têm medo? Será que têm pressa? Será que, no fundo, não estão à espera? Então e quando sentimos, mesmo não tendo a certeza, que é algo que vai ser muito bom para nós? Infelizmente, há pessoas que não esperam.

Vamo-nos lembrar que nem toda a gente usufrui dos cinco sentidos. Portanto, quem tem todas estas faculdades é um beneficiado! A situação é esta: conhecemos o cheiro, o toque, o sabor, o som e o aspecto de algo que queremos para nós e para sempre. Porque é que tendemos a não esperar e procurar melhor? Não seria já aquilo o melhor que podíamos encontrar?

Definitivamente... eu prefiro esperar.

1 comentário:

  1. É sempre melhor esperar! Nunca se sabe qual será o resultado da espera, curta ou longa! Adorei o texto :) Aguardo por mais...

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